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Segundo a orientação técnica da Direcção Geral de Saúde, em situação de pandemia de gripe, os serviços têm um papel fulcral a desempenhar na protecção da saúde e segurança dos seus funcionários e colaboradores. Deste modo, os serviços deverão ter Planos de Contingência que contemplem a redução dos riscos para a saúde dos trabalhadores e a continuidade das actividades essenciais, de forma a minimizar o impacte de qualquer disrupção e a assegurar o funcionamento da sociedade.
Neste contexto e considerando que é preocupação fundamental do Conselho de Administração do SESARAM, E.P.E. a protecção da saúde e segurança dos seus colaboradores foi organizado no âmbito do Serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHSST), um Plano de Contingência da Gripe A, que assume um papel relevante nomeadamente:
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na informação e formação dos trabalhadores e dirigentes sobre a nova ameaça;
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na vigilância médica e identificação de eventuais casos para investigação e seus contactos;
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na orientação dos casos de doença identificados, de acordo com as recomendações da DGS;
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na organização dos serviços de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho/Saúde Ocupacional como centros de recursos de informação e aconselhamento dos trabalhadores e dirigentes;
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na comunicação com os Delegados de Saúde e com os serviços de Segurança e Saúde no Trabalho/Saúde Ocupacional das empresas fornecedoras e clientes.
Neste âmbito, o SESARAM, E.P.E., através do Serviço de Segurança, Higiene e Saúde e no Trabalho desenvolve um conjunto de acções de formação e sensibilização para a prevenção da Gripe A junto dos profissionais.
Mais informação sobre a Gripe A:
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Entrevista ao Director de Serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, Dr. Rui Silva, publicada no Jornal da Madeira no dia 03 de Agosto de 2009.
Lavar as mãos salva vidas
O vírus da gripe A transmite-se pelas gotículas de saliva, pelas secreções nasais e pelas fezes e entra no nosso corpo através da boca ou do nariz. Como pode sobreviver em muitos dos objectos em que tocamos e onde o podemos apanhar, o mais importante é lavarmos as mãos com frequência. Não porque o simples contacto com o vírus faça com que a pessoa fique doente, mas pelo facto de ficarmos com as mãos contaminadas, podermos transmitir o vírus a outras pessoas e termos o hábito de as levar à boca ou ao nariz. É nesse momento que podemos ficar infectados. Daí a importância da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS): “Salve vidas; lave as suas mãos”.
O alerta é dado pelo médico de Medicina no Trabalho e actual director do Serviço de Higiene e Segurança no Trabalho da SESARAM, Rui Silva, que frisa: «Lavar as mãos é importante. Lavar as mãos salva vidas. Não é um gesto banal e de pouca importância».
Este é o primeiro passo para evitarmos que a gripe A se propague. Não porque seja mais grave do que uma gripe sazonal - que chega a matar 250 mil a 500 mil pessoas por ano, em todo o mundo -, mas por ser um vírus novo a que a humanidade ainda não tem resistências, nem vacinas. Daí o perigo de muita gente poder vir a ficar doente ao mesmo tempo, o que colocaria problemas sérios aos serviços de saúde, empresas e economia em geral.
Rui Silva deixa, no entanto, uma ressalva. É que, embora inicialmente se tenha temido que este vírus pudesse ser muito mortal, os dados já conhecidos levam a que se conclua que «a doença não tem a gravidade que pensámos no início». Facto que não era tão aparente nos primeiros dias em que a doença se registou, o que justificou a prudência que as autoridades tiveram inicialmente. Para além disso, como salienta Rui Silva, o facto de o vírus ser novo também foi outro factor tido em conta nessas medidas. Até porque, conforme acrescenta, o vírus ainda pode vir a sofrer mutações, não se sabendo o que daí advirá.
Prevenção
Com o alerta de que o importante é «não entrar em pânico», Rui Silva recomenda alguns cuidados a ter, de modo a se evitar que a doença se espalhe demasiado depressa, antes de as vacinas estarem disponíveis.
Nesse contexto, aconselha quem está constipado ou com gripe a «ter o cuidado de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para não contaminar outras pessoas, quer pelo espirro, quer pela tosse».
Usar um lenço ou o braço quando se tosse ou espirra são algumas das medidas a tomar. E, é claro, evitar cumprimentar outras pessoas.
Se numa família houver um doente com gripe A deve manter-se isolado no quarto, para não contagiar os seus familiares. Quem o for tratar deve fazê-lo com os cuidados necessários. Arejar a casa é essencial para ir eliminando os vírus.
Mudança de hábitos
Quem não está doente também deve ter cuidados especiais. Para além de lavar as mãos com frequência e evitar levá-las à boca e nariz, deve evitar aproximar-se de pessoas que estejam com sintomas gripais.
Guardar um metro de distância (se o doente estiver a espirrar ou a tossir a distância de segurança deve ser maior), e evitar cumprimentar a pessoa são algumas das possibilidades. Rui Silva diz que «não fica mal nenhum, nem é falta de educação ou de respeito se uma pessoa estiver constipada e as outras evitarem dar-lhe a mão. De parte a parte deve-se fazer isso. Quem está constipado deve respeitar isso e quem não está também deve ter algum afastamento». O que é preciso é evitar ser ostensivo ou exagerado.
Depois, é ter atenção aos locais mais passíveis de terem sido contaminados com o vírus. Normalmente, sítios usados por muitas pessoas, como os telefones, teclados, nomeadamente de Multibanco, corrimãos, dinheiro, etc. Como não se pode evitar tocar, a solução é lavar as mãos.
Para quem trabalha, Rui Silva diz que se for num local onde não se lide com o público não há tanto perigo. Se for, então é redobrar os cuidados.
Em suma, Rui Silva diz que o tipo de lavagem das mãos «vai variar de acordo com o que se faz».
Preparar o futuro
Embora a Madeira, até agora, tenha sido privilegiada pelos poucos casos ocorridos e algumas destas medidas não sejam tão prementes, o médico admite que se as coisas piorarem, «as pessoas terão de pensar nisto» e, eventualmente, evitar situações de grandes aglomerados em salas fechadas.
«É evidente que temos o cuidado de fazer com que a sociedade não páre, mas também não fica mal, mais para a frente, se as situações se generalizarem, termos algum cuidado e privilegiarmos mais as actividades ao ar livre. Com bom senso, esta situação vai passar, sem grandes problemas», especifica.
Incubação e contágio
Entre o momento em que uma pessoa é contaminada e aquele em que começa a apresentar sintomas podem passar-se dois a sete dias. Durante esse período de incubação o portador do vírus já está a contaminar outras pessoas. Mesmo sem o saber ou ter qualquer intenção de fazer mal aos outros.
Essa a razão que leva Rui Silva a defender que talvez já fosse tempo de irmos perdendo o hábito latino de beijar e dar a mão a todo o momento.
Aos primeiros sintomas tome anti-piréticos
Rui Silva defende que toda a gente deveria ter em casa anti-piréticos, isto é, medicamentos para a febre, como a aspirina ou o paracetamol. Deve tomá-los quando aparecem os sintomas. A febre começa a ceder, o que não significa que seja logo. Não é preciso entrar em pânico. Aguarde. O segundo ponto que destaca é o de que esta gripe não tem complicações maiores do que a gripe sazonal normal.
«Só quando as coisas começam a se complicar, com tosse excessiva ou a febre não baixa tanto quanto seria desejável, ou aparecem dores de cabeça muito intensas, ou a pessoa tem falta de ar, aí é que a pessoa deve recorrer aos serviços de saúde», especifica Rui Silva.
Vírus da gripe A é composto por três vírus
Rui Silva explica que, na natureza, os vírus têm um reservatório, que são as aves. Umas vezes provocam doença e outras não. «Neste caso, o vírus das aves contaminou os porcos, mas os porcos não adoeceram. Por isso é que se deixou de chamar a gripe suína», especifica.
Conforme acrescenta, mais tarde, houve uma nova contaminação com outro tipo de vírus, o que fez aparecer o vírus da gripe A. «Depois de analisado descobre-se que é uma mistura de três vírus: humano, suíno e das aves. Aliás, os vírus misturam-se», diz o médico.
Essa parte humana é um descendente de um vírus de 1918. «Então, deduz-se que os indivíduos mais velhos tiveram contacto com esse tal vírus. Como este é um descendente, é capaz de haver uma imunidade residual e relativa nessas pessoas.
Talvez isso possa explicar porque é que os mais novos estão a ser afectados e os mais velhos não, embora possa haver outra razão: talvez os mais novos viagem mais e então possam estar a ser mais contaminados, não por serem jovens, mas por viajarem mais e estarem a ter mais contactos com o vírus», explica o médico.
Segundo Rui Silva, o que esta gripe A tem de diferente é que pode incluir casos de diarreia e de vómitos, «o que complica um pouco a situação».
Isto porque, como diz, «ainda por cima estamos no Verão».
O que acontece é que febre, diarreia e vómitos são situações banais nesta época. «Neste caso, complica um bocadinho, porque se por acaso a pessoa viajou e tem o azar de lhe doer a garganta por causa do vómito, então complica um pouco o diagnóstico», esclarece.
Empresas devem preparar planos para enfrentar a gripe A
Em termos de medicina no trabalho, o que se está a fazer na Região é informar as empresas sobre os cuidados a ter com a gripe A e alertá-las para a necessidade de terem planos que minimizem o impacto da doença.
Segundo Rui Silva, houve uma primeira fase de informação generalizada, que cada empresa ia gerindo ao seu critério. Seguiram-se questões mais específicas. Rui Silva defende que «as empresas precisam de vários tipos de abordagem».
A primeira, conforme diz, «é as pessoas estarem informadas em relação à doença, para evitar pânicos e medos excessivos. Segundo, é como é que se devem comportar, designadamente em termos de um certo cuidado nos contactos, da higiene das mãos, haver o cumprimento das chamadas regras de etiqueta, designadamente, não se tossir para cima dos outros, o que, aliás, deveria ser geral nas outras situações».
Rui Silva acrescenta que, ao mesmo tempo, «entramos numa parte do plano de contingência, que é muito importante e que tem mais a ver com a gestão da empresa do que propriamente com a parte médica e de saúde, que é o que é que eu farei, enquanto gestor de uma empresa, quando aquelas pessoas chave – embora todos sejam importantes numa empresa – por exemplo, cozinheiros num hotel ou motoristas de transporte, adoecerem. Se essas pessoas adoecerem todas ao mesmo tempo vou ter problemas tremendos. Então tenho de pensar num plano alternativo para quando aparecerem os primeiros casos eu poder gerir a situação de modo a que a empresa não tenha de parar».
A título de exemplo, Rui Silva diz que uma empresa de catering poderá optar por fornecer apenas jantares ou almoços. «Isto tem de ser pensado atempadamente para que, quando a situação mais grave acontecer, a empresa poder accionar o plano B, para a empresa não ter de fechar».
O médico salienta, no entanto. «Não esquecer que há boas notícias nisto. É que, mesmo quando as pessoas adoecem, passada uma semana já podem regressar ao trabalho, salvo uma complicação ou outra. E, aí, com a vantagem de já estarem imunizadas».
Rui Silva relembra que o essencial é evitar que a doença se propague demasiado depressa. «Imagine que a gripe atingia toda a população. Isso era uma catástrofe, porque adoecia toda a gente ao mesmo tempo e o sistema parava. O nosso objectivo é atrasar isto, em primeiro lugar, até virem as vacinas. As vacinas estão a ser preparadas, isto é uma gripe como as outras, embora nova e como tal não há problema nenhum. As vacinas vão chegar. É uma questão de tempo», especifica.
Na opinião de Rui Silva, «se tivermos o cuidado e a prudência de acompanhar as recomendações das autoridades, as empresas defendem-se e, se tiverem os primeiros casos e aguentarem esses primeiros dias, as pessoas começam a regressar ao trabalho e as coisas vão-se compondo. E chegará a altura da vacina».
Rui Silva salienta que «se as pessoas adoecerem paulatinamente, os que ficam mantêm a empresa a funcionar. Se toda a gente adoecer ao mesmo tempo, a empresa pára. Isto representa custos tremendos para a empresa».
O que é preciso é que as pessoas tenham um comportamento o mais racional possível e de certo modo procedam todas da mesma maneira, defende. «Não é preciso andar a inventar, a ter comportamento excessivos, quase que fóbicos. Isto, felizmente, não é o ébola, não é uma meningite. Tem que haver um equilíbrio sensato na maneira de lidar com esta situação».
Anete Marques Joaquim
Sessões Informativas sobre Gripe A para Profissionais do SESARAM EPE
- Cronograma das Sessões Informativas sobre Gripe A para Profissionais do SESARAM EPE (pdf | 88.39 Kb)
Micro Site sobre a Gripe A do IA-Saúde, IP-RAM
Para mais informação consulte o Micro Site sobre a Gripe A do IA-Saúde, IP-RAM





