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"Ser Médico de Família"

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Médica Interna de Medicina Geral e Familiar no Serviço de Saúde da RAM, Priscila Setim descreve, em artigo de opinião, para Newsletter de uma farmácia local, o que é ser médico de família. "É conhecer melhor o utente, é ter um compromisso com a pessoa para vida, sem data de validade atribuída."

"Ser médico de família é observar o indivíduo para além do seu corpo, é admitir a sua individualidade, é efetuar a sua avaliação segundo uma óptica holística, focando-se também na vertente psicológica, social, cultural e espiritual.
 
Ser médico de família é gerir múltiplos problemas de saúde, de natureza diversificada e indiferenciada, muitas vezes numa fase precoce da sua história natural e de gravidade variável.
 
Ser médico de família é saber se colocar no lugar do outro, da sua família, é compreender a comunidade onde vive.
 
Ser médico de família é prestar cuidados de saúde longitudinais, é poder renascer com a criança, redescobrir com o adolescente, crescer com o adulto e amadurecer com o idoso.  Somos nós, os médicos de família, os que vivem em paralelo com o utente.
 
Ser médico de família é desenvolver cuidados abrangentes. Não observamos apenas na doença, não. Focamo-nos sobretudo na educação e promoção da saúde e procuramos orientar para a prevenção. E claro, quando necessário medicamos na doença e acompanhamos no fim de vida, garantindo cuidados paliativos. E não só. Temos outras valências pouco identificadas pela sociedade. Seguimos utentes no domicílio, somos capacitados para lidar com problemas de saúde urgentes, temos conhecimentos em pequena cirurgia e participamos ativamente na saúde da mulher (planeamento familiar, preconceção, gravidez, puerpério e pós-menopausa).
 
Ser médico de família é saber filtrar e articular com outros tipos de cuidados e recursos.
 
Ser médico de família no mundo contemporâneo, requer um atribulado percurso por diferentes especialidades, cursos e formações, de forma a adquirir o máximo de competências e aptidões de qualidade, para responder as necessidades em saúde dos que nos procuram. Já não somos os "médicos da Caixa", nem o "Clínico Geral", somos uma especialidade, sim, com quatro anos de formação específica. Matematicamente, com quatro anos elevado ao infinito, porque a ciência está em constante actualização e existem sempre lacunas por colmatar.
 
Ser médico de família é conhecer melhor o utente, é ter um compromisso com a pessoa para vida, sem data de validade atribuída."

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