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Ortopedia Infantil

A Ortopedia Infantil está vocacionada para a prevenção e tratamento das doenças músculo-esqueléticas na criança e no adolescente. Pé Boto Pé Boto - Método de Ponseti Em 1741, Nicholas Andre (foneticamente rebaptizado de Andry pelos Ingleses), Professor de Medicina na Universidade de Paris, publicou um tratado, descrevendo diversas metodologias para prevenir e tratar deformidades na criança. Apesar desta obra não ser a primeira do género e não trazer grandes novidades, foi ele que, combinando as palavras gregas orthos (recta, direita), e paidios (criança), introduziu o termo Ortopedia na linguagem médica da era moderna juntamente com a característica imagem de uma árvore escorada. A Ortopedia torna-se assim na Especialidade dedicada à preservação e restauração do sistema músculo-esquelético, tendo sempre a Criança (patologia do crescimento e desenvolvimento) um papel preponderante..

A Ortopedia Infantil assume assim uma importância fulcral... Pelo largo espectro de problemas ortopédicos que podem afectar a criança no período de crescimento... Pelo desafio inerente à resolução dessa patologia, no sentido de permitir uma Vida Adulta plena em forma e função... Pelo dinamismo e versatilidade que são inerentes à tarefa de tratar crianças!... Porque, afinal, a criança não é um adulto pequeno!


Ortopedia Infantil na Madeira

A Unidade de Ortopedia Infantil do Hospital Central do Funchal foi fundada em 1983, pelo Dr. Luís Filipe Costa Neves, actual Director do Serviço de Ortopedia.

Existe em espaço próprio na Enfermaria do 7º Piso do Hospital da Cruz de Carvalho, onde dispõe de 2 salas com ambiente infantil, que totalizam 12 camas e 4 berços. É permitido o acompanhamento permanente da criança por um familiar. As crianças internadas recebem ainda o apoio de uma Educadora de Infância.

Esta Unidade recebe, sempre que necessário, a colaboração do Serviço de Pediatria.

Ao longo dos tempos, a filosofia de tratamento das crianças tem evoluído no sentido de privilegiar tratamentos ambulatórios e, nos casos em que o internamento se torna imprescindível, criar todo um ambiente amistoso para a criança e evitar internamentos longos. Neste aspecto, e no que concerne à Traumatologia Infantil, a introdução da técnica de encavilhamentos elásticos, veio permitir a deambulação e alta precoces e consequente reintegração da criança, minorando os efeitos sobre a dinâmica familiar.

Criança EngessadaA Consulta Externa é personalizada. O doente será seguido preferencialmente pelo mesmo médico e a sua patologia será discutida pela equipa, sempre que tal se justifique.

Na Consulta de Ortopedia Infantil são acompanhadas crianças dos 0 aos 15 anos, com patologias diversas do foro da Ortopedia e Traumatologia.

Traumatologia na Criança

O Trauma é a causa principal de morte na Criança! As fracturas são responsáveis por 15-20% da patologia nesta população e a sua incidência varia com factores como a idade, o sexo, a prática desportiva, o ambiente urbano/rural, o clima e factores culturais...

No período de 1 de Abril de 2001 a 30 de Março de 2002 foram atendidas 824 crianças no Serviço de Urgência do Hospital Central do Funchal com o diagnóstico de fractura. Verificou-se que as fracturas são 1,6 vezes mais frequentes nos rapazes; ocorrem mais frequentemente por volta dos 12 anos de idade; afectam sobretudo o membro superior, com preferência pelo rádio distal. Cerca de 2/3 das fracturas ocorrem em ambiente doméstico ou escolar. E, curiosamente, registaram-se mais casos de fracturas nos meses de Junho, Outubro e Novembro.

A Prevenção é primordial, sendo indispensável o envolvimento dos pais, professores, educadores e todos os profissionais que rodeiam a criança. É necessário impedir o acesso a lugares altos, sobretudo se não vedados. Deve-se melhorar as acessibilidades nas escolas e nas casas. É fundamental fazer desporto em segurança!

Sendo as fracturas um acontecimento frequente na infância, é de salientar que a sua gravidade está intimamente relacionada com a idade da criança e o tipo de fractura. Importa distinguir se uma fractura ocorre aos 3 ou aos 14 anos... Interessa ainda distinguir o local e o tipo de fractura. Têm prognósticos diferentes as fracturas tipo ramo-verde e as fracturas-epifisiolises, que envolvem a cartilagem de crescimento!

Fracturas em ramo-verde

São Fracturas estáveis, geralmente situadas na região de transição entre a diáfise e metáfise de um osso. A cortical óssea fica "amolgada" ou "dobrada". Não é afectada a continuidade da estrutura óssea, favorecendo uma consolidação rápida.Por vezes, na variedade "dobrada" pode ser necessário repôr o alinhamento ("reduzir") sob anestesia.

A criança recuperará facilmente. No nosso Serviço, optamos por colocar uma imobilização com tala gessada por 15 a 21 dias, dependendo da idade.

As talas podem ser retiradas no Centro de Saúde ou mesmo em casa, se a família tiver condições adequadas.Estas fracturas são "benignas", isto é, não costumam deixar sequelas.

 

Fractura-epifisiolise

Este tipo de lesões caracterizam-se por uma ruptura da cartilagem de crescimento. O prognóstico difere consoante a zona desta cartilagem que é afectada. A classificação mais utilizada foi proposta por Salter e Harris  e divide estas lesões traumáticas em 5 tipos, de gravidade crescente:

Salter-Harris

 

As lesões do tipo 1 e 2 são relativamente benignas e têm bom prognóstico.

As lesões do tipo 3, 4 e 5 são potencialmente graves e podem deixar sequelas importantes, exigindo muitas vezes uma intervenção cirúrgica.

 

Como Crescemos...

Pernas no Crescimento

Os bébés têm as pernas arqueadas quando começam a andar. A partir dos 18 meses, verifica-se o contrário...os joelhos parecem tocar-se!

À medida que a criança cresce, e na maioria dos casos, as pernas irão adquirir um aspecto normal!...

Contudo... se a deformidade for exagerada, cabe ao Ortopedista decidir se está dentro da normalidade e a orientação a seguir!

 
Pés no Crescimento

Pé Boto e Método de Ponseti

O Pé Boto é uma deformidade congénita tridimensional, que afecta 1 a 8 recém-nascidos em cada 1000. As suas causas não estão definidas, admitindo-se porém que poderá existir uma influência genética importante. É mais frequente nos rapazes e em 50% dos casos é bilateral.

A maioria dos Ortopedistas defende que o tratamento inicial do Pé Boto deve ser Conservador. Na última década, o Método de Ponseti, aplicado em Iowa desde 1948, tem vindo a merecer um grande interesse da comunidade científica. Um estudo recente demonstra que esta técnica permite a correcção da deformidade em 97,5% dos casos, evitando assim cirurgias extensas.

Dr. Ponseti

Dr. Ignacio Ponseti
Pé Boto (Equino-varo-aducto-supinado)
Pé Boto
Tratamento com 5 gessos sucessivos e tenotomia, segundo o Método de Ponseti
Gessos Sucessivos
Aos 9 meses utiliza o BAP durante 18h diárias
Fim dos GessosAspecto Final

 

Em Julho de 2003, após aprendizagem do Método de Ponseti, a metodologia praticada anteriormente no nosso Serviço foi abandonada e todos as crianças com pé boto passaram a ser tratados pela técnica descrita pelo Dr. Ignacio Ponseti.

Apesar da nossa curta experiência, consideramos que o Método de Ponseti é a metodologia ideal para o tratamento do Pé Boto e esperamos, a longo prazo, poder reproduzir os excelentes resultados publicados por outros grupos. Entendemos que o sucesso do tratamento depende da motivação e informação dos pais e outros profissionais de Saúde!

Diagnóstico

O Pé Boto desenvolve-se entre as 14 e as 18 semanas de gestação.

Assim, às 20 semanas, e na maioria dos casos, será possível efectuar o diagnóstico ecográfico.

Embora a ecografia não permita obter dados relevantes sobre a gravidade da deformidade, ela é fundamental para um diagnóstico precoce e para a exclusão de outras patologias associadas.

No Hospital Central do Funchal, os médicos que realizam ecografias obstétricas são encorajados e aconselhados a enviarem a mãe ou o casal à Consulta de Ortopedia Infantil, sempre que é feito um diagnóstico. Aproveitamos para tranquilizar os pais, responder a eventuais dúvidas e tentamos estimulá-los para obterem informação sobre a doença e entrarem em contacto com outras famílias que vivam situação similar.

A motivação dos diversos Profissionais de Saúde e das famílias são cruciais para o sucesso do tratamento.

Eco pé boto

 

Detalhes

Em Julho de 2002, entrava na Consulta de Ortopedia Infantil do Hospital Central do Funchal um casal...Traziam o seu primeiro filho, com pé boto bilateral e insistiam para que o tratássemos pelo Método de Ponseti...que dissemos não saber aplicar! Após 4 gessos, o Yeshey "desapareceu" da nossa Consulta... E abriu a porta para o Método de Ponseti!

Um ano depois, no dia 15 de Julho de 2003 realizávamos o primeiro gesso segundo o Método de Ponseti...Depois de vários gessos "clássicos", a Sara inaugurava a mudança na abordagem do Pé Boto!

Mudava também, de forma gradual e natural, toda a forma de interagir com os pais e com a criança. Anna Ey resumiu isso ao transmitir-nos que “lo primero que hay que saber es que Ponseti no es el yeso, no es la tenotomía…Es también el ambiente donde está el niño, los papás…es toda una Filosofia del Pie y del Niño!”

Quando nasce uma criança com pé boto, um dos médicos que colabora com a Unidade de Ortopedia Infantil é chamado ao Serviço de Obstetrícia, onde observa pela primeira vez a criança, explica aos pais pormenores do tratamento que irá ser efectuado e entrega-lhes o folheto informativo.

O primeiro gesso é efectuado no dia em que mãe e criança têm Alta Clínica, geralmente aos 3-4 dias de idade do Recém-Nascido, no Gabinete de Gessos da Consulta Externa, na presença dos pais. É fulcral que o bebé esteja relaxado e não tenha fome, pelo que se recomenda à mãe que o amamente antes de cada Consulta.

Os gessos são feitos com intervalos de 5 a 7 dias. Pede-se aos pais que, poucas horas antes da Consulta, dêem banho à criança e deixem-na com os gessos na água durante 20 a 30 minutos, devendo envolvê-los depois em sacos de plástico que os manterão húmidos. Serão removidos na Consulta, utilizando uma tesoura e uma faca de gessos. Não utilizamos serra pelo desconforto e agitação que provoca à criança e aos pais.

O número de gessos necessários para corrigir o pé depende da rigidez da deformidade e varia entre 4 e 8.

Após retirado o último gesso, é aplicado o Brace de Abdução dos Pés durante 23 horas diárias nos 3 meses subsequentes. O tempo de utilização do BAP será reajustado periódicamente. Os pais são motivados e alertados para a necessidade de utilizarem criteriosamente o aparelho tal como prescrito. O intervalo de reavaliação em Consulta depende da gravidade e evolução do pé. Habitualmente vemos a criança 1 semana após a aplicação do brace, de forma a concluir da necessidade de ajustes da bota, e depois regularmente.

Os resultados obtidos com a aplicação do Método de Ponseti têm sido altamente gratificantes para todos. Reduzimos para ZERO o número de cirurgias.

Perguntas Frequentes

Quando utilizar?
pesbotos

SEMPRE!!!

A rigidez do pé não limita a aplicação do Método. E está indicado no tratamento de qualquer pé boto, mesmo que tenha sido tratado anteriormente por outras técnicas!

Até quando? gessospboto
Até aos 28 meses de idade, o Método pode ser aplicado com sucesso.

No entanto, se a criança for tratada até aos 9-12 meses, os resultados serão melhores!

Porquê o "brace" (BAP)? taladb
O Brace de Abdução dos Pés com a "incómoda" barra não corrige o pé, mas mantém-no corrigido... A sua utilização é fundamental para evitar uma "recidiva"! Deve ser usado pelo período indicado pelo Ortopedista!
Há riscos ou complicações? taladb1
Muito raramente!

No entanto, os pais devem ser alertados que se os dedos da criança ficarem inchados ou se esta parecer demasiado incomodada, deverão contactar imediatamente o médico.

Foram mencionados recentemente 4 casos raríssimos de complicações vasculares associadas à tenotomia, que, contudo, não comprometeram a correcção adequado do pé e a obtenção de um bom resultado.

O Pé pode "voltar atrás"? pebotomae

Sim!!! O Pé Boto é uma deformidade "com memória"... Além disso, se o BAP não for utilizado correctamente, o risco de "recidiva" é elevado!!!

O Pé pode re-adquirir a demormação e necessitar de outra série de gessos ou segunda tenotomia.


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